angkor: a incrível cidade perdida no camboja


Vang Vieng, 29 de novembro de 2011

Não dá pra pensar em visitar o Camboja sem que Angkor venha à mente. “Descoberta” no meio da selva, é uma das mais espetaculares realizações arquitetônicas de todos os tempos. O gigantesco conjunto de construções da maior “cidade perdida” do mundo é um ponto alto nessa viagem. Templos monumentais, integração com a mata e detalhes refinados são a herança de um império poderoso e compõem o cardápio de um programa inesquecível.

Não bastassem as belezas dos templos, suas paredes também eram todas trabalhadas. Essa fica no Terraço dos Elefantes.

A História recente do Camboja é marcada por eventos dramáticos. No último século, foi invadido pela Tailândia e Vietnã, colonizado pela França e ocupado pelo Japão. À independência nos anos 1950, seguiu-se violenta guerra civil que culminou na ascensão ao poder do sanguinário Pol Pot. Sob seu comando, o “Khmer Vermelho” evacuou as grandes cidades, expulsando inclusive idosos e doentes para rotinas de 12 horas de trabalho no campo. Perseguiu e executou milhões de professores, funcionários públicos, monges budistas ou qualquer um que tivesse estudado ou simplesmente usasse óculos. Enquanto isso, os Estados Unidos em guerra contra toda a região (conhecida como Guerra do Vietnã) despejavam no País uma carga descomunal de explosivos. Minas e bombas não detonadas dessa época ainda fazem vítimas todos os anos, mutilando adultos e crianças. É muito comum ver pessoas amputadas nas ruas. Todo mundo tem alguma história triste pra contar, perdeu algum ou todos os familiares. Apesar disso, para o encanto daqueles que vão ao País, levam a vida com enorme leveza e alegria. Um dos povos mais simpáticos e amigáveis que conhecemos e o mais sorridente de todos.

Criança cambojana

Mesmo após a perseguição de Pol Pot, o Camboja manteve-se majoritariamente budista

Mas, se os acontecimentos mais recentes têm esse aspecto sombrio, o passado distante é glorioso. A época do Império Khmer inspira as notas de dinheiro, dá o nome ao País e Angkor Wat aparece em destaque na bandeira nacional. Tendo florescido entre os séculos IX e XV, chegou a tornar-se a mais temida força econômica e militar na região. A saga desse império passou a destacar-se de tantas outras da História quando o conjunto de templos hoje conhecido como Rolous Group foi construído. Começava a ser erguida a maior cidade pré-industrial que o mundo conheceu.

O maior templo do conjunto Rolous Group

Esses primeiros templos ficam um pouco distantes da cidade e nós fomos de tuc-tuc. Aliás, os tuc-tucs também são uma boa opção pra quem tem pouco tempo ou quer visitar templos muitos distantes entre si. Olhando em um mapa, cada construção parece estar ao lado da outra. Na prática, estão a quilômetros de distância e a maior parte da área é tomada pela mata. Mas, a forma mais gostosa de deslocar-se por lá é de bicicleta.

As bicicletas são ótimas opções para rodar entre os templos de Angkor

Não há meio de transporte que resolva a última etapa: subir as escadas dos templos

O Rolous Group tornou-se uma referência para os templos que foram desenvolvidos posteriormente. Um rei após o outro acrescentou construções que ampliaram a cidade e o legado que hoje assombra a humanidade. Grande parte do charme dos templos de Angkor é a interação com a natureza. Enquanto permaneceram “esquecidos”, a selva invadiu as paredes, cresceu nos telhados e integrou-se com a obra do Homem.

Ta Prohm: um dos melhores lugares para ver o entrosamento entre a natureza e os templos.

Siem Reap é a cidade moderna que serve de base pra explorar Angkor. Vive para o turismo que registra cerca de 2,5 milhões de visitantes estrangeiros por ano (como referência, o Brasil inteiro recebe pouco mais de 5 milhões anualmente). Com bons hotéis a preços baixos e excelentes opções de 5 estrelas, recebe bem do mochileiro ao magnata. Uma rua tomada por bares garante diversão até de madrugada e incontáveis restaurantes servem pratos espetaculares ao preço de um suco de laranja no Brasil. Cansado de subir as escadas dos templos? Em cada esquina, cardumes afoitos lhe convidam pra uma massagem nos pés com direito à pedicure!

Prato típico do Camboja: Amok. Delicioso e num restaurante bacana custava só 5 reais.

Já imaginou fazer o happy hour tendo os pés massageados por peixes?? E eles ainda prometem um trabalho de pedicure.

E, quem diria, lá encontramos uma amiga que mora na cidade há dois anos. A Cris está elegantérrima trabalhando com a nata do turismo do Camboja, mas encontrou tempo na agenda de eventos pra jantares e cervejinhas conosco. Foi ela quem deu a dica do curso de culinária que fizemos. Existe um prato chamado Amok que é de comer ajoelhado e tentamos aprender a fazê-lo. Quem sabe na volta testamos com os amigos mais corajosos…

Comendo um amok na ótima companhia da Cris...

...e aprendendo a prepará-lo na aula de culinária. Na volta ao Brasil, testaremos nossas habilidades com os amigos! :-)

Em seu apogeu, Angkor chegou a ter perto de um milhão de habitantes. Foi quando foi construído o templo Angkor Wat, até hoje a maior estrutura religiosa jamais erguida no mundo.  Ver o sol nascer por trás desse templo é um programa clássico pra quem vai lá.

O amanhecer em Angkor Wat.

Angkor Wat

Angkor Thom é outro lugar impressionante. Um conjunto monumental de templos, com lindos portais, pirâmides, terraços e, bem no centro, o magnífico Bayon, com os famosos rostos esculpidos nas torres e paredes. Em toda a região, são mais de mil ruínas que facilmente ocupam três dias de visita. Com grandes diferenças entre si, dá pra visitar sem se cansar. Ou, se ficar cansado, encostar a bicicleta e sentar em uma sombra refrescando-se com um abacaxi fatiado.

Portal com as tradicionais faces esculpidas

Detalhe do templo Bayon em Angkor.

Estamos seguindo viagem pelo Laos. Menos conhecido do que seus vizinhos no Sudeste Asiático, o Laos é o destino pra quem quer esquecer em que dia está e aproveitar lentamente a vida!

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23 respostas para angkor: a incrível cidade perdida no camboja

  1. Fernanda disse:

    Quero comer um Amok :-)

  2. Rosângela disse:

    Caramba, as fotos estão cada vez melhores.
    Estou adorando acompanhar tudo com essa ilustração bacana.
    Beijos e vamos em frente!

  3. Amanda disse:

    Gente….. Não acredito que vocês não se renderam aos peixinhos!!!! Ahhhh eu ia querer demais! Imaginem as cócegas? Aproveito para me candidatar a provar o Amok e todas as outras especiarias que vierem! Já está até repetitivo, mas não tem como deixar de dizer: lindo!!!! Tudo lindo! Beijo grande com saudade. Amanda

    • Amanda querida! Tb não acredito que nós não nos rendemos… Ainda perdemos o serviço de pedicure incluído! Aposto que vc iria adorar mesmo. Eles ainda servem uma cervejinha pra vc relaxar um pco mais rs… Combinado o Amok. E tb o festival “cem formas de preparar macarrão e arroz”, nossas maiores especialidades! Bjo grande pra vc!

  4. disse:

    Meninos, muito bonito!!!
    Vocês tem o contato do curso de culinária para passar para a gente? Outra coisa, vocês acham que vale a pena comprar o passe de 3 dias para Angkor?

    bjosss
    nã =)

  5. Que lugar maravilhoso, em pensar que eu achava Mcchu Picchu enorme!! muito bom, que lugares diferentes
    . Continuo seguindo vocês..

  6. Rogério disse:

    É camarada, acho que você vai precisar trocar a camisa para as fotos futuras depois de domingo… kkkkkkkkk A camisa azul vai ficar desbotada.
    Saiu do Brasil com um time de primeira e corre o risco de voltar com um time de segunda.
    (Não dava pra perder a oportunidade de te zoar) kkkkkkk
    Fui!

  7. Rafael disse:

    O Camboja faz parte do meu roteiro, claro, e aguardo ansiosamente para ter fotos semelhantes as que vocês postaram aqui. hehehe
    Por enquanto não pretendo ir a Laos. Vou acompanhar seu post para, quem sabe, mudar de ideia.

    • Vamos colocar os posts do Laos em breve, mas podemos adiantar o seguinte: até agora não vimos nada de bem extraordinário, mas estamos nos sentindo extraordinariamente bem!

  8. Bethânia disse:

    Poxa está cada dia mais difícil escolher o melhor post, mas para que escolher se podemos ver todos não é mesmo?Lugares mágicos, apaixonates!Estamos adorando e gravando tudo!!
    Lindo demais o Camboja!!

    Bj gde nosso

  9. Paula disse:

    Leticia, vc escreveu que ainda tem bombas fazendo vitimas, mas como a gente vai se prevenir para nao pisar num troço desses? e a bicicleta, vcs pagaram quanto por dia?

    • Paula, na região em q os turistas estão, não há palmo de chão que não tenha sido pisado antes! rs… São 2,5 milhões de visitantes por ano! O problema está na zona rural, áreas isoladas que vão sendo tomadas pra agricultura. Não precisa ter medo!
      A bicicleta custa 1 dólar por dia. Achou caro? rs…

  10. Fellipe Faria disse:

    Ahhh, curti demais rever todos esses lugares! Deu até saudade do Camboja aqui… e curti mais ainda minha participação especial no último post, hehe! Grande abraço e aproveitem o tubing em Vang Vieng! =D

    • Ahahaha! Valeu, Fellipe! Participação mais do q especial!
      Foi sensacional mesmo passar pelo Camboja! E estamos planejando pra hj o tubing! Esse lugar é mto bom!!
      E piramos nos seus relatos de Petra, bonito demais! Estamos trocando de cidades perdidas, difícil dizer qual é mais animal, né!
      Abração

  11. Paula disse:

    Nossa, que lindo, acabei de receber a postagem no meu email..ai, assim eu fico tentada a mudar o destino da minha proxima viagem..rs..aliás eu tenho um blog parecido com o de voces que é http://mochilandonomundo.wordpress.com ( esse eu estou editando agora, tem umas 30 viagens para colocar) e o http://amigassemfronteiras.blogspot.com ( é da Viagem que acabei de fazer a Europa),
    Estou acompanhando aqui em Manaus e viajando com voces.
    Um abraço

    Paula

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