de carro pela nova zelândia


Rio de Janeiro, 02 de abril de 2012
 
Estamos em abril! Como os dias têm passado mais rápidos no Brasil. Desde que voltamos, entramos em um ritmo frenético para recolocar a vida em alguma forma de “normalidade”. Já estamos morando em uma casa nova e estamos os dois trabalhando. Ao deixar tudo para trás e partir em busca de um sonho, abrimos mão da segurança que a vida que havíamos construído nos trazia. Bem, o sonho está realizado e menos de um mês após voltarmos essa tal “segurança” está restituída. Ficaram memórias, aprendizados e a certeza absoluta de que valeu imensamente à pena!
 
 
O único porém é que nessa batida acelerada do retorno ao Brasil, ainda não concluímos nossa história. E vejam que falta falar da Nova Zelândia, um dos destinos mais incríveis em que passamos e alguns dos melhores dias da viagem. Dias que começaram a ter sabor de despedida. Aquela impressão de criança de que estavam nos chamado pra ir embora no melhor da festa. Mas, a verdade é que a festa foi tão incrível que nunca haveria uma hora boa pra ir embora… Então, vamos ao relato!
 
 
 
 
De Sidney voamos pra Queenstown, na Ilha Sul. A Nova Zelândia tem duas ilhas principais. A Ilha Norte é mais quente e povoada. Tem mais praias, lugares pra mergulho e grandes cidades como a capital Wellington e Auckland, a mais populosa e próspera do País. A Ilha Sul tem poucas e pequenas cidades e é mais “natureza”, com paisagens tão diversas que em menos de uma hora é possível sair de uma montanha nevada e chegar a uma praia cercada por florestas verdes. Se algum dia você tiver que escolher entre as duas pra visitar, vá para a Ilha Sul. Recomendamos isso sem pensar duas vezes, mesmo sabendo que a Ilha Norte também está repleta de excelentes lugares pra ir. E alugue um carro, van ou motor-home. Não há maneira melhor de viajar por essas bandas.
 
 
 
E por que tanta gente viaja de carro pela Nova Zelândia? Vamos às vantagens:
 
– A Nova Zelândia é uma terra de cenários estupendos, de uma diversificação extraordinária e uma beleza de derrubar o queixo. O melhor do País está entre uma grande atração e outra. O que se vê da janela nas estradas é hipnotizante e seria um sacrilégio não poder parar de 5 em  5 minutos pra apreciar as diferentes vistas dos milhares de mirantes existentes no caminho;
 
 
– Outra vantagem irresistível: a liberdade. Não ter horário pra pegar o ônibus, não ter que se juntar a nenhum tipo de excursão, não ter rota pré-definida ou depender de decisões tomadas com antecedência. O mundo é seu (ou pelo menos será “seu” o território que puder desbravar dirigindo ao longo dos dias);
 
 
– A infra-estrutura é ótima. Existem campings e paradas pra pic-nic por toda parte. Cansou do volante? É pouco provável que se leve mais do que 15 a 30 minutos até encontrar um bom lugar pra fazer sua comida, tomar um banho e passar a noite. As estradas em si não são más. Bem conservadas e sinalizadas, embora normalmente em pistas únicas e cheias de curvas. E o neo zelandês é um motorista prudente e cordial;
 
 
– E a derradeira vantagem: a experiência. Dormir no aconchego do carro, preparar o almoço com um visual de cinema ao fundo, visitar pontos pouco conhecidos, conhecer outros viajantes na estrada. Tudo isso não tem preço!
 
 
Quer dizer, preço até tem. E disso vem a única desvantagem: o custo. Ir de carro não é barato e nem trará grandes economias com a hospedagem. O preço por pessoa pra passar a noite em um camping é alto, quase o valor de uma cama em um albergue. Se o carro não tiver banheiro e chuveiro dentro, será inevitável pernoitar onde exista alguma estrutura. Além disso, dormir com o carro estacionado na rua é proibido e gera multas altas em quase todo o País. Uma opção mais em conta é ir para os parques nacionais, que têm tarifa baixa, banheiros simples e nada de banho. Pra economizar no próprio aluguel do carro (disparado nosso maior gasto) existem pelo menos duas alternativas. Pra quem vai ficar três ou mais semanas rodando, é melhor comprar um carro e depois revendê-lo. Alguns vendedores garantem inclusive a recompra ao final. Pra quem vai ficar pouco tempo, aparecem grandes oportunidades de rodar de graça fazendo uma espécie de serviço de “devolução” de um automóvel à sua cidade de origem. Esse tipo de opção invariavelmente aparece para quem está deslocando-se no sentido sul-norte e o prazo de entrega é de poucos dias. Reservamos nosso carro logo na chegada ao aeroporto de Queenstown. Melhor seria termos reservado antes pra contar com mais opções.
 
 
Pra quem associa a Nova Zelândia aos esportes radicais, Queenstown é a sua Meca. É uma cidade pequena e charmosa e também a capital mundial dos esportes de aventura. Em um País em que as pessoas amam se jogar de penhascos, descer montanhas em alta velocidade e desbravar o lado selvagem da natureza, Queenstown destaca-se pela quantidade e qualidade das atividades. Não existe uma forma de atiçar a adrenalina que não esteja sendo aproveitada. Entre um salto de bungee jump e um cavalo de pau em uma lancha, ficam à disposição as belíssimas montanhas e lagos que há mais de um século garantem fama e trazem turistas à região.
 
 
 
 
Nossa primeira jornada na estrada foi de Queenstown a Milford Sound. Esse trecho enfeitado por campos amarelos, espelhos d’água refletindo picos nevados, cachoeiras, canyons etc. está entre os mais populares e memoráveis da Nova Zelândia. A estrada esgueira-se por penhascos, túneis estreitos e mirantes até terminar em um desses cantos do planeta que habitavam o nosso imaginário.
 
 
 
Milford Sound é o nome de um fiorde. Formados durante as eras glaciares, os fiordes são estreitos – porém profundos – braços de mar que avançam por muitos quilômetros terra à dentro. As montanhas em torno são altíssimas e navegar entre elas é de uma beleza fabulosa (existem muitos barcos que fazem esse passeio). Dessa vez, tivemos que dormir no estacionamento mesmo e pagar a multa que sabíamos que seria cobrada na manhã seguinte. Mas, com isso vivemos algo muito especial, dessas coisas que entrariam em qualquer grupo seleto de grandes momentos da viagem. No meio da noite, saímos do carro pra ir ao “banheiro” à beira do mar logo a nossa frente. A maré estava baixa, as montanhas de cada lado levemente cobertas por finas faixas de nuvem e ao centro uma estonteante lua cheia que refletia na água. Não teve fotos, ficou impresso apenas na memória.
 
 
 
 
Recuperado o fôlego depois desse lugar alucinante, hora de cair de volta na estrada. E o próximo destino era a própria estrada. Fizemos o caminho de volta à Queenstown e continuamos por lagos azuis rodeados por montanhas áridas, rios de água gelada e cristalina, florestas surreais que aparentavam ter saído de um livro de ficção científica e por rodovias que serpenteavam pelo litoral sobre falésias e belas praias sub-tropicais. Dormíamos nos campings que encontrávamos pela frente, cada vez mais apegados ao nosso carro e nossos caminhos.
 
 
 
 
 
Passamos também pelos famosos glaciares. O Fox Glacier – que nós visitamos – e o Franz Joseph Glacier bem próximo dali dão uma boa ideia do que era a Nova Zelândia durante a era do gelo. Responsáveis diretos por esculpir o cenário que hoje nos encanta e que virou protagonista da trilogia O Senhor dos Anéis (aliás, motivo de orgulho nacional), esses glaciares são enormes massas de gelo compactado que se deslocam muito lentamente descendo um vale. Tem muitos quilômetros de comprimento e podem passar de um quilômetro de profundidade! É super tranquilo visitá-los por conta própria, dispensando o pagamento de quase 100 dólares por uma caminhada guiada. Se for pra investir, a sugestão é pegar um helicóptero e descer no meio da geleira, longe da área acessível a quem está a pé.
 
 
 
 
No caminho pro Fox Glacier, levamos um alemão que estava rodando toda a Nova Zelândia acampando na estrada e viajando de carona. Prova que pra quem tem tempo e disposição, dinheiro é um problema contornável. Como não dispúnhamos dos cinco meses que ele tinha e não tínhamos mais tempo a perder, seguimos viagem rumo ao norte. História que iremos contar no último post que publicaremos pra detalhar os destinos dessa volta ao mundo. Afinal, os caminhos que nos levaram à Auckland, também foram os caminhos que nos trouxeram de volta ao Brasil.
 

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24 respostas para de carro pela nova zelândia

  1. nadine azevedo disse:

    oii, adorei o blog!!! estou morando na australia, e to planejando uma viagem pra nz..mas nao sei o que fazer! quanto vcs gastaram com gasolina e aluguel de carros?? eu vi um onibus que custa $731 dolares e faz a ilha do sul inteira…voces gastaram +- isso? estou indo com uma amiga e talvez 2 amigos, o que vcs aconselham??

  2. Claudirene disse:

    Fred e Letícia, parabéns pela viagem. Estou pensando em fazer algo parecido em abril/2013. Tenho uma pergunta: precisa carteira de motorista internacional, uma simples tradução ou tradução juramentada? Agradeço a atenção.

  3. wi disse:

    Nossa… levei 10h para ler o blog inteiro de vcs! Muito bom mesmo. Lugares lindos e muita coragem! Amei… até meu médico eu desmarquei para acompanhar estes relatos, lindos e comoventes! Muito bom… Aguardarei um resumex com os top visitados por vcs… o que parece ser difícil dado a beleza de tds os lugares por onde passaram…

    Beijos

  4. gugacris disse:

    Grande Aventura!!
    Eu e minha esposa temos acompanhado vocês desde o início da viagem! A energia que vocês transmitem é fantástica!
    Já começaram o planejamento da próxima viagem?

    Estamos fazendo uma viagem parecida, mas primeiro estamos fazendo uma parada estratégica no Canadá para aperfeiçoar o inglês antes de seguir adiante, então oficialmente nossa RTW Trip inicia em agosto quando iremos pegar o primeiro vôo desta passagem.
    Se quiserem podem nos acompanhar pelo nosso blog! gugacris.wordpress.com

    Abração e muita sorte e sucesso nessa nova fase!
    Guga e Cris

    • Opa, vamos ler sim, que bacana!! Boa sorte!!!
      Já pensamos mto nas próximas viagens, mas ainda não são planos concretos.
      Qdo as novidades vierem, a gente conta!
      Abraços

  5. jureny disse:

    Fred e leticia !!!!
    Acompanhei boa parte dessa gde aventura de Vces,,,,atraves da Maria do Carmo….fiquei imensamente feliz com o final feliz , e tenho certesa que jamais vces vão sequer questionar alguma situação vivida…. tiraram de letra em perseverança ., coragem… etc… seja bem vindos … Sucesso!!!! Ha!!!! meus filhos fizeram um ano de intercambio na N.Z, e fui visitá-los varias vezes, adoramos e a virada do milenio passamos em Sidney ….Sensacional… falta agora ver se da p/ um dia matar a saudade disso tudo….Abrção!!!!!

  6. Fernanda disse:

    Olá! Fiquei feliz em saber que vocês dois já conseguiram empregos. Eu voltei faz 10 dias, disparei CV para algumas vagas, mas por enquanto, nem entrevista ainda. Tomara que eu tenha a mesma sorte que vocês, porque já estou ficando louca sem trabalhar e sem poder viajar. rs. Se tiverem dicas, por favor, me avisem qual o segredo. Quanto à NZ, dos 20 países que passei na minha volta ao mundo, foi o que mais gostei. Até hoje eu lembro dos lagos e das montanhas e um dia voltarei a esse país fantástico. Fui muito bem recebida por lá. Não aluguei carro e fiz o Kiwi Experience, que embora ofereça menos flexibilidade, é uma ótima maneira de conhecer pessoas, já que eu viajei sozinha. Agora que a viagem acabou, ficam as histórias e as lembranças né??? beijos. Fernanda

    • Fernanda, sei como é essa ansiedade da volta. Mesmo estando emprega tão rápida também vivi um momento de ansiedade. Na verdade, comecei a monitorar vagas pelo site vagas.com nos últimos dias de viagem. E ainda na NZ fiz contato com a empresa que hoje estou trabalhando.
      O importante é ter tranquilidade e confiança… sua vaga tá aí! Acho que a viagem foi um diferencial no processo seletivo… Ousadia e coragem são valorizados no mercado. :)
      Também amamos a NZ. Vimos um ônibus da Kiwi Experience e grupo que vimos pareceu muito bacana.
      Boa sorte e sucesso pra vc!
      beijos

  7. Amanda disse:

    Ahhhh….. Vai acabar; só falta mais um?

  8. tobeatiger disse:

    Que bom que vão concluir os posts! =)
    Fico feliz que tenham voltado ao mercado de trabalho. Tiveram dificuldades?
    Esse é meu maior medo quando eu fizer minha futura volta ao mundo!
    Abraços!

    • Guilherme,
      foi bastante tranquilo. Em 3 semanas já estávamos os dois trabalhando. Acho que a história da viagem foi diferencial nosso no momento da seleção.
      Vá sem medo! Ousadia e coragem são aspectos apreciados no mercado. ;)
      Abraços

  9. Lêda R. J. Chaves disse:

    Letícia e Fred:
    Que pena que esse é o penúltimo capítulo! Lindas fotos!
    Sinto que cada uma das entrelinhas revela a verdade das informações, a sinceridade nas apreciações e o entusiasmo de vocês pela realização desse sonho……
    Meus parabéns! Um beijo.
    Lêda R. J. Chaves
    PS- E o livro quando é que sai?………………….

  10. Anônimo disse:

    Saudade de vcs… Vcs terão muitas histórias para contar para seus futuros netos e tataranetos… Assim como veus avós, histórias super engraçadas… sempre dei boas gargalhadas… que Deus abençoe a união de vcs como abençoou a deles, 66 anos juntos.

  11. cida disse:

    Entendo que não foi possível fazer a postagem antes . Mas, trazer à lembrança essa história gostosa que acompanhei com ansiedade por todo o ano passado não estava nos meus planos. Sinto saudade. Bem, o importante é que vcs estão felizes e usando a experiencia para levar alegria aos amigos e à vcs mesmo. Avante!! BJS

  12. Rômulo disse:

    Muito bacana, amigos. Imagens espetaculares.
    Abraços

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