pelo teto do mundo


Pokhara, 24 de outubro de 2011

Estamos aos pés do Himalaia, cercados pelas montanhas mais altas do planeta. Nesse momento, do lado nepalês da cordilheira. Mas, pra chegar aqui, atravessamos o Tibet, passando por cenários absolutamente estonteantes. Picos nevados com mais de 8.000m, monastérios budistas isolados, lagos azuis, glaciares e um pouco da cultura tibetana… Vivemos uma das experiências mais ricas de nossas vidas no topo do mundo!

A caminho do Everest, que já aparece entre a gente nessa foto

Paisagens pra ficar de boca aberta...

Divertindo-se com uma criança tibetana

Viajamos no conforto de um 4×4. Como falamos no último post, só é permitido rodar pelo Tibet em um tour organizado através de uma agência. Pesquisamos muitas opções e no final foi mais barato e confiável fechar com uma empresa do Nepal recomendada no Lonely Planet. Ainda assim, uma opção cara pro nosso estilo “mochileiro”.  Não que a gente esteja reclamando. O esquema foi bem profissional, com bons hotéis, motorista e um excelente guia à nossa disposição. Era só entrar no carro e curtir. Uma bem-vinda folga na nossa rotina de correr atrás de hospedagem, transporte, informações sobre os lugares etc.

Vida longa ao nosso guia e grande parceiro Lobsang!

Cheia de estilo com o nosso bacana 4x4

Como não encontramos companhia pra viajar (e rachar os custos), definimos o roteiro exatamente como a gente queria. Depois de uns dias em Lhasa, pegamos a Friendship Highway em direção à Kathmandu, no Nepal. Pernoitamos em Gyantse e Xigatse antes de desviarmos em direção ao acampamento base do Everest, onde dormimos a mais de 5.000m e muitos graus abaixo de zero. Finalmente, uma última parada em Zhangmu, já na fronteira, antes de completar o trajeto pra capital nepalesa no dia seguinte.

População rural do Tibet: cena típica em todo o trajeto

Esse trajeto começa com a bola toda, com visuais de impressionar o mais experimentado dos viajantes. O planalto tibetano é de modo geral árido, com pouca vegetação. E é isso que intensifica sua beleza. As montanhas nuas ou cobertas por neve, contrastando com lagos azul turquesa formam um cenário inesquecível. Poucos animais conseguem viver nessa altitude e no frio severo que a acompanha e o yak se destaca entre eles. Não por acaso, seu leite e carne foram uma das nossas principais fontes de alimento nesses dias.

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Na margem do Yamadrok Lake, uma parada obrigatória

Na companhia de um yak. Amigo agora, refeição mais tarde...

Por várias vezes, a estrada serpenteava em intermináveis curvas fechadas pra vencer as grandes altitudes. No alto, a vista ganhava o charmoso adereço das prayer flags (“bandeiras de reza”, traduzindo diretamente), bastante típicas no budismo tibetano. Outra especificidade cultural e uma das que mais nos impressionaram foi o funeral tibetano. Os corpos são preparados pra virarem comida de aves de rapina, peixes ou leopardos da neve. Vamos poupá-los dos detalhes, mas o ritual é chocante pra nós que não estamos acostumados.

Prayer flags na passagem Karo La Pass

Repare na quantidade de curvas da estrada

Todo o caminho é pontuado de pequenas fazendas com casas construídas no estilo tibetano. Em Gyantse, visitamos o Palkor Monastery e o Jiangzi Zong Shan, além da enorme Kumbum Stupa, uma tradicional estrutura budista recriada em uma escala impressionante. Em Shigatse, visitamos o Panchen Lama’s Tashilhunpo Monastery e outras construções históricas da região. O Panchen Lama é uma espécie de “número 2” do budismo, logo após o Dalai Lama. Atualmente em Shigatse, vive o Panchen Lama “oficial”, escolhido pelo governo chinês. Enquanto outro – chamado o “real” – está sumido desde os seis anos de idade (hoje estaria com 23 anos).

Kumbum Stupa

Letícia estudando as escrituras budistas

O Protetor, nossa imagem preferida

Com a molecada tibetana no monastério

E o ponto alto dessa viagem foi o Monte Everest. Aliás, o Monte Everest, com 8.850m é literalmente o ponto alto do planeta! Desde muito longe, é possível avistá-lo da estrada e quanto mais nos aproximávamos, mais imponente e belo ele ficava. O caminho até lá é duro, mesmo num 4×4. Pra quem pensa em ir ao acampamento base a pé, recomendamos o lado do Nepal. No Tibet, só é possível fazer uma trilha curta e sem maiores emoções que segue pela própria estrada. Já estávamos bem aclimatados e não sentimos maiores efeitos da altitude fora a inevitável falta de fôlego. Assim como foi inevitável quase congelar com o frio… Embora as tendas ofereçam uma opção surpreendentemente confortável de pouso e o tempo, atendendo aos nossos intensos pedidos, estava perfeito pra vermos tanto o pôr do sol, quando seu nascer no dia seguinte. Saímos de lá triunfantes, felizes da vida!

Na estrada que leva ao acampamento base do Everest, já com ele dominando o horizonte

O Monte Everest, com 8.848m o ponto mais alto do planeta

Dentro da tenda do acampamento base, melhor do que o esperado

Pouco antes da fronteira com o Nepal, a estrada mergulha entre as montanhas, perdendo altitude muito rapidamente. A vegetação torna-se exuberante e proliferam cachoeiras despencando dentro do canyon. Tudo muito bonito também. A última cidade, como é de se esperar pra uma fronteira, era um horror. E a entrada no Nepal teve toques de comédia quando após deixarmos a super restrita imigração chinesa, vimos uma pequena multidão arrombando as grades do lado nepalês cuja abertura estava atrasada naquela manhã. Um pequeno aperitivo do que estava por vir…

 

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31 respostas para pelo teto do mundo

  1. Fred como vocês fizeram com o visto para a China? pois normalmente o visto é válido para 90 dias.

    • Tiramos o visto pra China em Johannesburg, na África do Sul, pouco antes de embarcarmos pra lá. Fomos ao consulado chinês e demorou mais ou menos 5 dias pra ficar pronto. Ele permitia 30 dias no País e, como nós ficamos 60, tivemos que renová-lo. Fizemos isso em Shanghai, mas é possível fazer em qualquer cidade grande chinesa. Demora outros 5 dias mais ou menos. Abraços

  2. Rômulo disse:

    Lindas as fotos e ótimo relato, como sempre. Ainda bem que não tiveram problemas com a altitude. Os efeitos são aterradores em determinadas pessoas. Valeu amigos.

    • Valeu, Rômulo! Pois é, deu tudo certo. Fomos subindo o mais aos poucos possível pra ter mais tempo pra aclimatizar e tomamos uns remédios naturais que encontramos em Lhasa. No mais, sorte da genética, provavelmente… E aí, já tá de volta do giro pela Península Ibérica? Como foi?! Abraços

  3. Adolfo Paes disse:

    Estou fascinado com as imagens e relatos dessa viagem que estão fazendo, o meu sonho é um dia tbm poder realizar, cade lugar mais lindo que o outro, culturas extradiordinárias… Confesso que mudei meu ponto de vista com relação China, lugar maravilhoso!!!
    Estarei aqui de olho nos relatos de vcs e já peguei a dica sobre o Dragoman, vou começar aqui pela América do Sul para adquirir experiência antes de ganhar o mundo! =D
    Se for possível mantermos contato via e-mail, seria um prazer, adoraria pegar algumas dicas e sugestões e quem até não fazemos uma viagem juntos qualquer dia!
    OBS: Qual câmera fotográfica estão usando?

    Boa viagem e continuem postando essas fotos maravilhosas!
    Abraço!

    • Olá, Adolfo! Que legal q vc está curtindo!
      Estamos usando uma Canon 50D. A experiência com a Dragoman foi ótima e achamos que a América do Sul tem mto lugar sensacional pra explorar! Dá pra ir fácil independente tb, mas se vc curtiu a ideia de viajar de caminhão, vai fundo!
      Qualquer dica q vc quiser (se a gente souber, é claro), conte com a gente!
      Abraços!

  4. William disse:

    Mais uma vez, um sopro de magia estas fotos..
    fantástico!… indescritível.

    Vida loga a voces.!

  5. Paula disse:

    Gente, ta ficando difícil escolher o melhor dessa viagem mas confesso que essa parte espiritual ta me ganhando. As fotos seguem lindas, os posts ótimos e engraçados. Me divirto!
    Amiga, vc continua fazendo bonito no posto de musa do blog!
    Bjao

    • Ei, amiga!!! Espiritual é com essa parte da viagem mesmo. A partir de agora, tem ainda mais budismo, hinduismo, entre outros nessas terras de pessoas mto místicas! Agradecemos pelos elogios às fotos, aos textos e à “musa”! rs…
      Bjão!

  6. Uau, Uau, Uau!! Que bom que eu descobri esse blog… Realmente, mais um ponto “alto” da viagem! O que é esse lago da foto? Meu Deus!! abraços para o casal de viajantes e novamente: PARABÉNS!

  7. Bethânia disse:

    Casal 20 estamos maravilhados com tudo que vocês tem enviado em textos e fotos!
    Tudo lindo demais!Na verdade não sabemos dizer se é o post mais lindo, mas com certeza é um dos tops!!A coragem de vocês está sendo muito bem recompensada!
    Everest….que ORGULHO….que INVEJA……….
    Bj gde nosso

  8. Iliana disse:

    MEU DEUS QUE MARAVILHA….MAMA

  9. Rogério disse:

    Que maravilha! A viagem está ficando cada vez mais legal. Sábado a gente foi no centro cultural do Banco do Brasil ver a exposição sobre a Índia, logo lembrei de vocês, já estou ansioso pra ver as impressões de vocês sobre essa interessante cultura.

    Abraço.

    • Grande Peixe!
      Escrevemos agora diretamente da Índia! Assim, que concluirmos os relatos do Nepal, passamos nossas impressões. Viajar por aqui não é fácil, mas pode ser mto divertido!
      Como tá a vida aí no Rio?
      Abração

  10. Lêda R. J. Chaves disse:

    Olá, Letícia e Fred:
    Vocês vão publicar esses posts? Quem sabe até um livro? Vou ser uma das primeiras a comprá-lo……
    Parabéns e que tudo continue maravilhoso!
    Um abraço
    Lêda

  11. Michel, as fotos estao barbaras!!!! Ta profissa demais!!!! Vcs estao com camera agora? Se for a mesma, parabens porque vcs estao fotografos especiais!! ;)
    Uau, fiquei encantada com o Tibet, nao imaginava ele assim tao lindo! Pensei que fosse so o palacio de potala e nada mais… Agora quero conhecer!!!
    Fala com a leticia que adorei o oculos dela!
    Daqui ha 10 dias to indo para kenya e tanzania! Super ansiosa!!!
    Beijao para vcs!!!

    • Oi, Costa! Estamos aqui todo prosa com seus elogios!! Letícia ficou feliz de saber que os óculos estão fazendo sucesso! :)
      Os dias no Tibet foram sensacionais, tanto pelos templos quanto pelas paisagens. Se puder, vá mesmo conhecer!
      Kenya e Tanzani?! Que delícia! Saímos da África com vontade de ir pra lá também!
      A câmera é uma Canon 50D, a mesma desde o início da viagem. Apenas as lentes que nós trocamos em Hong Kong.

      Beijão!

  12. Kécia disse:

    Ahhh… que pena que acabou!! É sempre essa a sensação quando acabo de ler os posts de vcs.
    Penso sempre que poderiam ter escrito mais e colocado mais fotos! (Egoísmo de leitora-fã! =D )
    Sinal que a narrativa continua muito boa, parabéns!!
    Falando em fotos… que paraíso!
    Por favor, coloquem as fotos do nascer e do pôr do sol… devem ser maravilhosas estas fotos!
    Boa sorte!! Bjos.

  13. Gabi disse:

    Oi Fred e Letícia!
    Estou acompanhando esta incrível e maravilhosa experiência de vida de vcs…Fico empolgada com cada post…mas decidi que o meu próximo destino será a China, Tibet, Everest…estou maravilhada e sem palavras…Abraço grande…cuidem-se…Gabi

    • Ei, Gabi!!
      E olha q ainda vamos falar do Nepal. Fizemos um trekking na região do Annapurna que é outro lugar sensacional! Vai ser pra te deixar na dúvida! rs… Daqui a pco, a gente publica.
      Ah, claro, conte conosco se quiser algumas dicas!
      Bjão!

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