trekking no himalaia


Agra, 01 de novembro de 2011

Pra muitas pessoas (talvez a maioria), o amplo cardápio de rotas de trekking é a principal razão pra visitar o Nepal. Contando com a indescritível beleza do Himalaia, não é de surpreender que passar uns dias na trilha esteja “acima” de qualquer outra atração nesse pequeno país asiático. Some a isso vilas isoladas que preservam suas ancestrais e peculiares culturas e a incursão por essas bandas pode ser encarada como um passeio cultural, uma expedição aos picos mais altos do planeta ou apenas um giro por um dos cenários mais espetaculares de sua vida!

As opções são incontáveis e dá pra andar por praticamente todo o País. Mas, manter-se entre as regiões mais conhecidas é mais simples, seguro e pode sair bem mais barato. E isso não significa dividi-las com as multidões. Estamos falando de enormes parques nacionais onde é possível embrenhar-se em rotas que duram de 3 a 30 dias ou até mais, se o seu negócio for andar indefinidamente. As regiões do Everest, de Langtang e, principalmente, Annapurna são as mais populares. Não é por acaso, já que concentram boa infra-estrutura de tea houses, trilhas bem marcadas e visuais magníficos.

Crianças se divertem nos balanços feitos de bambu, típicos em todo o Nepal.

Parada para descanso no meio da trilha. E com que vista!

Não é preciso ser atleta profissional pra encarar, apenas não pense que se trata de um passeio no parque. Normalmente, as pessoas andam por 4 a 6 horas e relaxam o restante do dia. Mas, o caminho é quase sempre muito íngreme e as altitudes podem passar dos 5.500m, o que significa riscos reais de ter problemas sérios com a altitude e frio de clima polar. Existem muitas tea houses na montanha, que oferecem um lugar pra dormir, refeições e um belo ambiente pra confraternizar com outros caminhantes. Também é possível contratar guias e carregadores e aliviar o peso da mochila de suas costas. Não nos demos a esses luxos, mas estão lá disponíveis pra quem quiser.

Uma das tea houses do caminho.

Com a Cláudia e Martina. Austríacas divertidíssimas!

Sem carregadores o Fred teve um trabalho extra na trilha.

Como acontece com todo cardápio muito amplo, escolher pode ser um processo angustiante. Nós rumamos pra Pokhara, a base pra explorar a região do Annapurna. A partir de Pokhara, é possível fazer trilhas mais curtas que te levam diretamente ao coração do Himalaia, o que calhava com o tempo em que ainda dispúnhamos pra ficar no Nepal e com a vontade maior de um e menor de outro de passar dias caminhando. Fizemos o circuito Nayapul – Poon Hill – Ghandruk – Nayapul, que geralmente leva de 4 a 6 dias, é de fácil acesso e oferece uns dos melhores visuais de todo o Nepal. Inevitavelmente, é um dos mais movimentados e comerciais. Ainda assim, não pense que é tumultuado. Apenas não é possível desfrutar daquela sensação de dono da montanha e isolamento do resto do mundo, embora a gente chegasse a passar uma hora sem cruzar com ninguém pelo caminho.

Às vezes era preciso pedir licença aos búfalos para passar na trilha.

Fomos sozinhos e não é preciso ter nenhum receio do trekking independente. Desde que esteja em uma rota conhecida, é pouco provável que seja realmente necessário organizar-se através de uma agência. Menos ainda, comprar um pacote de fora do Nepal, situação em que o preço é indecentemente maior. Pra uma mulher, pode ser arriscado seguir sem nenhuma companhia, assim como é arriscado aventurar-se acima dos 4.000m sem ninguém por perto. Há duas saídas nesses casos: unir-se a outros grupos que conhecer pelo caminho ou contratar guias e/ou carregadores já na trilha.

A trilha passava por bonitas pontes pendentes como essa.

Durante a caminhada fomos presenteados com este colar de flores. Sucesso com a população local!

E no fim do dia fomos presenteados com esse céu rosa!

Nos nossos primeiros dois dias, apenas subimos. Uma subida sem fim que leva de Nayapul à Ghorapani. É incrível como que em poucos quilômetros a altitude muda nessa região do mundo. Pra dar uma ideia, apenas no 2º dia, ganhamos 2.000m em relação ao nível do mar. Fazer isso a pé é quase uma indecência! Então, dá-lhe escada… No começo, passamos por belos terraços de arroz, cruzamos florestas e vimos dezenas de cachoeiras de água transparente e um ou outro pico nevado dando as caras por trás das montanhas mais próximas.

Passamos por muitas escadas na trilha.

Os visuais eram incríveis!

E revelavam grandes picos nevados.

Dormir em Ghorapani e acordar às 4h da manhã pra ver o sol nascer em Poon Hill é um clássico do mundo do trekking. A caminhada que leva até lá dura pouco mais de 1h. É feita acima dos 3.000m, já com o oxigênio ficando rarefeito, bastante frio e, como não, ainda com sono. Mas, Poon Hill justifica o esforço e a fama. No horizonte, espalham-se meia dúzia de montanhas de mais de 7.000m, duas delas com mais de 8.000m. O sol primeiro tinge o céu de rosa e depois os picos de dourado. Um espetáculo que contemplamos com céu completamente limpo depois de ver todos os últimos dias nascerem nublados.

Atingir o topo do Poon Hill não é fácil. Nós chegamos!!

A vista do Poon Hill.

Se não chove de manhã, chove á tarde. Não espere caminhar no seco o tempo inteiro. E foi isso que aconteceu no nosso mais longo dia, em que começamos a caminhada às 5 da manhã e só paramos quase 6 da tarde. A jornada até Ghandruk é longa e cheia de incríveis vistas. Até aí, a gente já tinha passado um bom tempo com uma dupla de austríacas super simpáticas, um animado grego e agora andávamos com uma bem disposta inglesa. No último dia, o caminho de volta à Naypul é pura descida e o frio deu lugar e um calor intenso e desgastante. Assim, como as montanhas nevadas voltaram a dar lugar aos terraços de arroz, enquanto o cenário seguia impressionando pela beleza.

Um lotado ônibus local nos levou de volta à Pokhara pra u merecido dia de descanso. Pokhara é até bem agradável com uma bonita lagoa e um clima muito mais relaxado do que Kathmandu. E o descanso foi necessário não só pela caminhada, mas também pela longa jornada de ônibus que nos levou de lá até a fronteira com a Índia e, depois, até Varanassi, onde um chocante mundo novo nos esperava.

Próxima parada: India!

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23 respostas para trekking no himalaia

  1. Anônimo disse:

    Letícia, ver vc. nesta imensidão…ufa me lembrei na hora de vc. ainda pequenina…lá no clube 34, toda tímida, quase não conseguia te ouvir de tão baixinho que vc. falava. E, agora mochilando pelo mundo, por aí… é que me dei conta do quanto vc. está falando, eu diria mesmo gritando, através do seu blog nas narrativas que vc. faz.
    Ao ler seu blog estou fazendo um intensivo, e por que não dizer que estou aprendendo muito com vc. sobre sobre esta sua fantástica aventura!
    Namastê! prá vc. e Fred qdo. chegarem na índia.

    • Namastê, Martha!
      Pois é… o tempo passa, né?! Tem mais de 20 anos que deixamos o clube 34… rsrsrs… Bom, vamos deixar de lado esses números assustadores! hahahah!
      Fico feliz que o blog esteja trazendo novidades pra vc. Todos os dias conhecemos e aprendemos muitas coisas, e poder compartilhá-las é uma alegria!
      Um beijo!

  2. Adrian disse:

    Uma das passagens mais legais da viagem de vocês! Bom prosseguimento.

  3. Leticia disse:

    J-e-s-u-s! Estou cansada só de ver…Rs!

    Adoramos o “vontade maior de um e menor de outro”. Vizinho, vc sempre com essa mania de parar a caminhada para beber um liquido…Rs. Ainda bem q a Letícia esta ai para te incentivar ;))

    Alias, o Santiago disse q na volta terao que acompanha-lo ao Monte Roraima. Aposto que vcs 3 irão se divertir bastante por lá.. So nao vale um aue…Rs

    Amigos, estamos encantados com essa paisagem estonteante. Muito orgulho de vcs!

    Que venha a India. Fé em Deus, DJ!

    Bjs e saudades,
    Leticia

    • Amigos!!!
      Novamente a satisfação nos inunda ao receber vossa graciosa atenção rs…
      A vontade de caminhar é diferente, mas a de revê-los é do mesmo tamanho! Fechado o pacote pro Monte Roraima, Letícia não vê a hora! ahahaha
      A índia taí, com tudo o que tem direito, da vaca sagrada ao trânsito louco, mas com lugares como o Taj Mahal no caminho!
      Bjos com muitas saudades!

  4. Santiago disse:

    J-e-s-u-s! Estou cansada só de ver…Rs!

    Adoramos o “vontade maior de um e menor de outro”. Vizinho, vc sempre com essa mania de parar a caminhada para beber um liquido…Rs. Ainda bem q a Letícia esta ai para te incentivar ;))

    Alias, o Santiago disse q na volta terao que acompanha-lo ao Monte Roraima. Aposto que vcs 3 irão se divertir bastante por lá.. So nao vale um aue…Rs

    Amigos, estamos encantados com essa paisagem estonteante. Muito orgulho de vcs!

    Que venha a India. Fé em Deus, DJ!

    Bjs e saudades,
    Leticia

  5. Rogério disse:

    Tudo maravilhoso!! É muito bom acompanhar a viagem de vocês!
    Abraço, peixe.

  6. Alex Araújo disse:

    Lindo!! obrigado por ver essas imagens maravilhosas! que Deus abençoe todo o trajeto da viagem! depois faço questão de conhece-los!!!!!!
    absss

  7. Bethânia disse:

    Não sei o quê dizer……Lindíssimas fotos!!Todas maravilhosas!!Parabéns!!

  8. Shirley disse:

    Desse jeito vcs vão voltar magrinhos, magrinhos rsrsrsr… abraço
    Shirley

  9. Anônimo disse:

    Fred e Lê, como sempre uma boa leitura acompanhada de imagens sensacionais. Obrigada por compartilhar conosco! Beijos e até a Índia [ansiosa]. Cibele.

  10. Kécia Torres disse:

    Que imagens maravilhosas!
    Realmente tem que ter muita disposição e isso vcs tem de sobra!
    Parabéns por mais esta aventura!!
    Estou acompanhando tudo extasiada pelos cenários estonteantes.
    Bjos.

    • Obrigado, Kécia!! Cenários de ficar babando mesmo, piramos! A próxima parada trouxe outros tipos de cenários (menos belos, mais chocantes, mas tb interessantes) e algumas construções humanas igualmente de babar! Daqui a pco tem novidades, estamos tirando o atrasado e tentando deixar o blog mais “em dia” com a viagem… Bjos

  11. Fellipe Faria disse:

    Pra conhecer o Nepal, tem que ter disposição… novos posts sensacionais revelando locais poucos explorados pelos brazucas. Força e fé pra vocês aí na Índia! Tô acompanhando! Abraço e desçam logo para Bangkok antes que a enchente leve tudo e não sobre nada pra ver!

    • hahaha! Pois é, a gente queria mesmo te perguntar se vc tem alguma novidade daí… Ainda tá pelo Camboja ou já voltou pra Tailândia? Estamos sem saber se vamos conseguir voar pra Bangkok, tentando acompanhar daqui. Temos mais uns dias na Índia, mas nosso plano é desembarcar no SE Asiático daqui a pco. Abração e vamos acompanhando daqui tb!

      • Fellipe Faria disse:

        Tô no Sul da Tailândia agora, curtindo as praias mais fantásticas que já vi… quando saí de Bangkok o Centro estava tranquilo… devo voltar pra lá no dia 12 e fico até o dia 15! Vou procurar saber com alguns amigos que estão por lá e depois falo pra vocês. Abração!

      • A gente só tem recebido notícias de Bangkok bem mal. Estamos até sem saber se vamos mesmo conseguir voar pra lá. Amanhã tentaremos marcar a passagem, vamos ver! E avise pra essas práias daí que estamos chegando em breve!!!! Abração

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